Leandro Portella

Jovem tetraplégico de Araçoiaba ganha a vida no Second Life

Posted on fev 4, 2007

Leandro Portella explica a luta para conviver com sua condição e como a internet e o mundo virtual o ajudam a abrir portas.

m“Computer, please listen”, “Go down”, “run”, “stop”, “press”. Sem poder movimentar o mouse, com essas palavras de ordem, Leandro Portella Santos, 26 anos, comanda verbalmente a setinha na tela do computador. Tetraplégico desde 1999, após sofrer um acidente enquanto “furava” uma onda em Ubatuba, o inquieto e criativo Leandro vislumbrou na internet uma possibilidade de trabalho.

Utilizando o motrix – programa de comando de voz que pode ser baixado gratuitamente pela internet – o jovem trabalha como atendente de uma empresa instalada no Second Life (site que promove um ambiente de relacionamentos através de personagens virtuais). “Tenho que ser muito rápido para dar conta. Porque para escrever a mensagem preciso soletrar cada palavra, letra por letra, num código específico. O ‘a’ é alfa, o ‘b’ é bravo, o ‘c’ é charlie, o ‘d’ é delta… ”, explica.

O programa além de ter possibilitado ao garoto arrumar um emprego é também importante para o convívio social. “O mais legal é que com o motrix posso ter privacidade, porque ninguém precisa segurar o telefone pra mim ou digitar as mensagens”, comenta e ressalta: “E outra coisa: quero trabalhar e ter o meu dinheiro. A internet está me proporcionando isso”.

Novas cores
Como há um mês Leandro está trabalhando seis horas por dia (das 15h às 21h, de segunda a quinta), a pintura ficou um pouco de lado. “Mas já estou com saudade de pintar”, revela o garoto, que utiliza a boca para realizar as pinceladas.

Segundo ele, a pintura foi uma incrível descoberta, que além de alimentá-lo espiritualmente e ser uma forma de “passar o tempo”, revelou-se também uma possibilidade de ganhar dinheiro. “Nunca pintei na minha vida. Aliás, com a mão sempre fui péssimo para fazer desenhos e pinturas. Mas a gente aprende e com muita persistência comecei a pintar com a boca. As pessoas gostavam do resultado e começaram a comprar”, conta Leandro, que atualmente está com uma exposição no Spa São Pedro.

A artista plástica Elza Tortello foi uma das incentivadoras do garoto. “Foi um alento tão grande, que chegava a pintar 7 horas por dia”, explica Leandro, que esquece das fortes dores na região do maxilar para realizar as pinturas, que tem como influência Picasso.

Além de uma luta individual
Mesmo com todas as dificuldades, Leandro não poupa esforços para se divertir. “Já fui no Bier encontrar amigos… há pouco fui numa formatura e cheguei às 7h30 da manhã. Foi muito divertido”, comenta.

Ir ao cinema está entre as atividades prediletas do jovem. Mas, ele ressalta que as salas de Sorocaba não estão preparadas para receber os deficientes físicos. “Primeiro que muitas vezes você chega para estacionar o carro e alguém está utilizando o local indevidamente. E outra coisa, é que o espaço reservado para o deficiente no cinema fica muito perto da tela. É quase impossível ler a legenda”.

É por essas e outras dificuldades, que um dos projetos atuais de Leandro é trabalhar em prol dos deficientes físicos. “A sociedade ainda não está preparada para nos receber. Eu, apesar das dificuldades, ainda tenho uma família e recursos. E quem não tem?”, observa.

Quem quiser entrar em contato com Leandro, o e-mail é leandro.portella@yahoo.com.br

Por Juliana Simonetti Jornal Bom Dia

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