Leandro Portella

‘Acessibilidade melhorou, mas ainda é precária’, diz cadeirante

Posted on jul 7, 2012

jc2Desde o ano 2000 existe no Brasil a lei da acessibilidade, que garante prioridade no atendimento de pessoas com deficiência física ou dificuldade de locomoção e adaptações no espaço físico dos locais, garantindo o ingresso de todos. No entanto, em muitos lugares de Sorocaba(SP). esse acesso não é possível para todas as pessoas.
Tetraplégico há 13 anos, o sorocabano Leandro Portella entende bem sobre as dificuldades enfrentadas pelos deficientes físicos. “Sorocaba vem evoluindo na parte da acessibilidade, é a mais acessível da região, mas sinceramente ainda falta muito a ser melhorado”, afirma Leandro, que tem movimentos apenas do ombro para cima.
Aos 18 anos, ele lesionou a coluna durante um mergulho em água rasa, no litoral paulistano. Antes do acidente ele era um jovem ativo e um atleta – Leandro era um nadador -, mas, desde 1999, a vida, agora sobre as rodas de sua cadeira, mudou radicalmente.
Naturalmente, foi necessário um período de adaptação de Leandro, sua família e a própria casa em que vive. Porém, as dificuldades não fizeram com que o jovem desistisse. Ele continuou estudando, realiza um trabalho voltado para pessoas que sofreram lesão medular por meio do seu blog e tem uma vida social movimentada.
Leandro diz que a maior parte dos lugares tem algum tipo de barreira arquitetônica, mas que mesmo assim ele freqüenta restaurantes, teatros, cinemas e bares. “Dependendo de onde vou, sei que causo um reboliço no lugar para poder entrar. Mesas são afastadas e eu sou carregado, mas mesmo assim eu vou. Às vezes acontece de não conseguir mesmo, de não haver qualquer forma de acesso. No dia 10 de junho, por exemplo, fui impedido de participar de um curso realizado em um hotel na cidade, pois tinham 20 degraus até a sala do evento”.
Portella conta que existem diversos lugares em Sorocaba que, além de ser bem recebido, ele tem acesso total. Contudo, ele ressalta que não sabe se os banheiros dos locais são acessíveis, já que ele não os utiliza por conta do tipo de lesão medular que teve, ao contrário de outros deficientes físicos que usam normalmente os sanitários.
A evolução de Sorocaba em acessibilidade é visível, mas, de acordo com o cadeirante, ainda há muito para ser feito. “É importante ressaltar que a melhoria ainda não é suficiente e é necessário abranger a acessibilidade que envolve as outras deficiências e não apenas as pessoas com deficiência física”, alerta Leandro.

“Sorocaba é a mais acessível da região, mas sinceramente ainda falta muito a ser melhorado” Leandro Portella

Em contrapartida, o governo do município informa que a Secretaria de Obras e Infraestrutura Urbana (Seobe) vem observando as normas de acessibilidade determinadas pela legislação em todos os projetos desenvolvidos e obras públicas em andamento. Já a Secretaria da Educação (Sedu), que administra o Centro de Referência em Educação, afirma que o prédio contou, desde a concepção e a execução do projeto, com orientação e apoio técnico do Instituto Paradigma, referência no País no que se refere à inclusão das pessoas. O resultado foi uma estrutura física de mais de 2 mil metros quadrados de área construída, 100% acessível.
Recentemente, a Prefeitura lançou o projeto “Parque Para Todos”, com uma série de intervenções no Parque da Água Vermelha, visando melhorar as condições de acessibilidade. De acordo com a Secretaria do Meio Ambiente (Sema), o “Parque Para Todos” pretende adequar os parques da cidade à Norma Brasileira ABNT NBR 9050, que regulamenta os padrões de acessibilidade voltados às pessoas com deficiência física e visual.
A Secretaria da Saúde (SES) informa que os prédios das duas Unidades Pré-Hospitalares (UPHs), dos Prontos Atendimentos (PAs) e da Policlínica Municipal de Especialidades atendem as normas de acessibilidade. A maioria dos prédios das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) também é adaptada às pessoas com deficiência. As UBSs que ainda não são adaptadas passarão por obras de reforma
Já a respeito das vagas de estacionamento, a Urbes – Trânsito e Transportes informa que a fiscalização ocorre nas vias públicas e em todos os estabelecimentos classificados como polos geradores. Além disso, a empresa realiza periodicamente blitzes de orientação ao uso consciente das vagas preferenciais.

jc

Fonte: G1

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