Esta foi a pergunta que o psicólogo Pedro Assumpção, de 33 anos, fez ao propor no Facebook uma campanha que pede legendas em português para surdos poderem ver filmes nacionais na Netflix, a principal plataforma de streaming no Brasil. Lançou-se então a hashtag ‪#‎NetflixPraSurdoVer.

Pedro não é surdo, mas se deparou com a dificuldade de pessoas com deficiência auditiva que não conseguem ver filmes produzidos em seu próprio país. “Um dia alguém postou sobre ‘Operação Especiais’ (2014) e uma pessoa fez uma queixa de que não havia assistido porque filme nacional não costuma ter legenda”, explica ele.

Depois disso, o psicólogo criou uma montagem (que você vê logo abaixo) para tentar sensibilizar mais pessoas e, claro, conseguir que a informação da campanha chegue aos ouvidos da Netflix.

netflix

A imagem circula por vários grupos de assinantes do serviço, além do Twitter e outras redes sociais. A página Fonoaudiologia Depressão foi uma das que compartilhou o conteúdo, chegando a alcançar mais de 1 milhão de pessoas.

Fizemos um pequeno levantamento na categoria filmes brasileiros na Netflix e estavam disponíveis 77 títulos. Entre estes, selecionamos 10 que não têm a legenda em português como opção:

Operações Especiais
O Som ao Redor
Jean Charles
Paraísos Artificiais
Tropa de Elite
Bruna Surfistinha
O Palhaço
Até que a Sorte nos Separe
Como Esquecer
2 Coelhos

“Cidade de Deus” (2002) é uma exceção, com legendas tanto em português como em inglês. Os dados foram contabilizados em 20 de janeiro, a mesma data em que o Catraca Livre entrou em contato com a empresa, mas o e-mail não foi respondido até hoje.

cidade_de_deus_capa

Para Natalia Vieira, de 23 anos, auxiliar administrativa e estudante de Design, “a falta de acessibilidade acaba excluindo os surdos da sociedade”. “É por falta de legenda que não assisto aos filmes brasileiros na Netflix ou no cinema. Acabo optando pelo filmes americanos, isso mostra a enorme falta de respeito para com os surdos”, diz.

“Alguns surdos têm dificuldade de entender o português, então acabam optando pela janela de intérprete de Libras. Já outros conseguem entender bem o idioma e por isso preferem a legenda. Não faz o menor sentido não termos essas opções”, reivindica Natalia.

Assim como Natalia, a advogada aposentada Tania Viazovski, de 42 anos, tem como alternativa o closed caption, as legendas ocultas disponibilizadas nas transmissões de TV. Outro recurso, só que mais trabalhoso, é baixar o filme, depois a legenda e sincronizar na hora de assistir. “Moro aqui e não consigo ver filmes do meu próprio país”, desabafa Tania.

Legenda para quem não ouve, mas se emociona é uma das iniciativas que luta há 10 anos por mais acessibilidade nas produções cinematográficas. A ação recolhe assinaturas para tornar possível a Lei nacional que garante o acesso dos surdos à legendas, como o Projeto de Lei Federal nº. 256/2007, do deputado Eduardo Barbosa. Clique aqui para assinar.

Fonte: Catraca Livre